“Como num transe coletivo, 1968 marcou uma revolução em todo o mundo. Nada mais seria como antes. No Brasil, a música e a política ganharam corações e mentes de uma juventude ávida por mudanças sociais e de comportamento. Sonhos interrompidos pelo AI-5, que impôs um silêncio de vozes - mas não de idéias e ideais - por mais de uma década. ”
1968 foi um ano que parece pouco para as transformações radicais provocadas por todo o mundo, com reflexos visíveis até hoje. Na Europa, a população lutou contra a opressão social, seja ela qual faceta tivesse. As ruas de Paris foram tomadas por estudantes que, sob slogans como É proibido Proibir, colocaram carros de ponta-cabeça e botaram fogo na cidade. Em Praga, a primavera trouxe sonhos de liberdade para um povo que vivia num fechado regime comunista, e buscavam humanizá-lo. Nos EUA, manifestações infestavam as ruas, fosse para queimar sutiãs, para protestar contra a Guerra do Viatnã ou para ouvir Martin Luther King.O Brasil não ficou alheio. Pelo contrário: a luta pelas liberdades individuais e pala quebra dos paradigmas mobilizava a sociedade. Era um tempo em que o grande inimigo tinha nome, cassetetes e calabouços: o regime militar , instaurado em 1964. A resistência não se fazia apenas nas ruas e centros acadêmicos. Os artistas também entravam nas trincheiras.
Os festivais da canção, o palco mais visível desse clima, eram locais de inflamadas - e às vezes fanáticas - dircurssões políticas e estéticas.Canções apolitizadas eram vaiadas e enganjadas se tornavam novos hinos nacionais. Um ano tão carregado de sonhos e ideias teve o pior desfecho possivel. Em dezembro, o presidente-militar Arthur da Costa e Silva desferiu um duro golpe militar contra as liberdades individuais do País. Decretou o AI-5, que interrompeu um forte e amplo anseio de transformação e marcou a escalada da supressão de direitos e das atrocidades de um regime autoritário. E 1968 acabou na escuridão.
(Brasil, almanaque de cultura popular)
“Caso você tenha lido este artigo até o fim, obrigada e é por isso que ainda há sentimento de esperança no País, se não leu, não pretendo julgar, mas espero que um dia compreenda a prisão sem grades que tem vivido, arrancaram de você todo senso de justiça, nação e liberdade, ou então você nunca os teve. Um ano como este não pode ser esquecido, deveria tornar-se ponto de partida para as diversas lutas que o mundo deveria travar em prol da quantidade de injustiça que tem se comentido, imagine o que são nossos governantes sem o apoio de um povo, sem um país para governar.” L. Moon
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